EDITAL DO PROGRAMA MONUMENTA E 0474/2007 - IPHAN /UNESCO /BID
COLEÇÃO VIVÊNCIAS EDUCATIVAS
A COLEÇÃO VIVÊNCIAS EDUCATIVAS é uma série de 5 livros infanto-juvenis produzidos no Quintal da Aldeia durante as atividades diárias de pesquisa, valorização e difusão dos saberes e fazeres culturais locais. É resultado da integração do variado público que frequenta o espaço-sede e da parceria com escolas públicas locais.
1 e 2 A VIDA DIFERENTE / RECEITAS DA VOVÓ
Este livro foi produzido em 2005 no Quintal da Aldeia, durante o 3°ciclo de Vivências Educativas. Reunidos, crianças de idades variadas da comunidade (entre 2 e 17 anos), seus pais e educadores do Quintal da Aldeia, partimos da investigação e função dos cinco sentidos em nossas vidas cotidianas dentro deste eco-sistema denominado cerrado, para então ampliar a pesquisa sobre as várias espécies animais que ali convivem, buscando compreender mais especificamente a origem dos bois e a influência deste animal na cultura local.
O conteúdo foi trabalhando durante todo um ano e realizadas diversas vivências no cerrado, pesquisas e descobertas corporais e intelectuais, sessões de vídeo, leitura e contação de histórias que resultaram na confecção de um boizinho na técnica tradicional da Festa das Cavalhadas, confecção de 2 livros sobre o tema ("A vida diferente" e "Receitas da Vovó" e montagem de auto teatral apresentado a 600 crianças da rede pública escolar, como bem demonstram as fotos e livros.
Baixe os livros em PDF:
Receitas da Vovó
3 BENEDITA E AS BURRINHAS
BENEDITA E AS BURRINHAS foi produzido em 2006 durante o 4° ciclo de Vivências Educativas. Dando prosseguimento ao ciclo iniciado no ano anterior, o grupo fez uma grande reflexão sobre as relações ecológicas e culturais entre os cavalos e o processo de ocupação histórica local. A cultura do cavalo na cidade ocupa um espaço significativo e a maioria da população ou tem seu próprio animal ou aluga um para acompanhar as datas festivas locais, como as Cavalhadas e Folia do Divino Espírito Santo.
O conteúdo foi trabalhado durante todo o ano e integrou crianças de escolas públicas, pais, educadores griôs e educadores comunitários do Ponto de Cultura Quintal da Aldeia, resultando na criação e confecção de burrinhas da tradição popular brasileira, participação na Festa das Cavalhadinhas, criação de brinquedos pedagógicos e confecção de livro sobre o tema, e montagem de auto teatral apresentado a 600 crianças da rede pública escolar e na Festa junina da entidade. Conheça o trabalho clicando aqui.
4 ANDANÇAS PELO GOIÁS
ANDANÇAS PELO GOIÁS é resultado do processo vivenciado no 5° ciclo de Vivências Educativas denominado 'Caravana Guaimbê', em 2007. O projeto foi realizado com diferentes apoios nos dois semestres: no 1° semestre - um passeio pelas danças de Goiás – contou com o patrocínio da FUNARTE/MinC, através do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna e parceria com o Programa Ação Griô Nacional, parceria entre o MinC e o Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, da Bahia. Já no 2º semestre - pesquisa sobre a origem do bairro do Bonfim e a história da cidade segundo a memória dos griôs - foi financiado pelo FNDE/SECAD/MEC através do Convênio 820.400/2006, ainda em parceria com o Programa Ação Griô Nacional.
No 1º semestre, além de Pirenópolis, outras duas cidades foram envolvidas no processo de pesquisa sobre o modo de vida da zona rural e diversidade regional das danças populares da zona rural e urbana: Cocalzinho e Corumbá. Foram organizados encontros entre professores e griôs em Cocalzinho; capacitação de professores em Corumbá de Goiás; e integração entre a comunidade escolar local e e educadores griôs, educadores comunitários, griôs e foliões da comunidade e do Quintal da Aldeia em Pirenópolis, resultando na montagem e apresentação do espetáculo de dança-teatro Caravana Guaimbê.
Além do espetáculo, o projeto proporcionou aos participantes, vivências nas Folias de Reis e do Divino; revitalizou a dança do lundu e contribuiu para a formação do grupo de Catira e Lundu 'Levanta Poeira'. A equipe de educadores comunitários e educadores griôs adentrou a escola parceira para vivências semanais durante todo o semestre, contribuindo para o aprendizado curricular e reciclagem dos professores da rede pública; propiciando ainda vivências de Rap (fortalecendo o grupo Mensageiros do Rap) e passeio de campo à RPPN Flor das Águas.
No 2° semestre, a equipe do Quintal da Aldeia deu continuidade ao 5º ciclo somente em Pirenópolis, integrando 60 crianças do ensino fundamental de escola pública estadual, professoras da mesma escola, educadores griôs; educadores comunitários, promovendo visitas de pesquisa a artesãos locais; passeios de campo em fazendas e povoados do município que são pontos significativos para entender as histórias da matriz africana e das influências político-sociais que predominam na cidade desde sua fundação, resultando na montagem coletiva e apresentação do espetáculo de dança-teatro 'Caravana Guaimbê – caminhos do Bonfim'. O espetáculo foi apresentado no final do ano para o público local e participantes do encontro 'Expedição do Redescobrimento', financiado pelo Pontão de Cultura Brasil Memória em Rede (BMR)/Museu da Pessoa/MinC.
O texto do livro foi escrito coletivamente pelos educadores comunitários do Quintal da Aldeia, sob orientação e cuidado das educadoras griôs Guerreiras do Bonfim, ilustrado por crianças, jovens e adultos e equipe de educadores comunitários do Quintal da Aldeia e editado pela educadora comunitária Luciana. Ficou muito lindo, você poderá apreciá-lo aqui ou adquirir um exemplar, se preferir.
5 CAMINHOS DE PIRENÓPOLIS
CAMINHOS DE PIRENÓPOLIS é a produção de um livro que registra a história do centro histórico de Pirenópolis do ponto de vista e memória do Mestre Griô Bastião de Chica, atualmente com 92 anos de idade. Ele possui uma memória invejável, recorda-se de fatos marcantes, datas importantes, histórias, mitos, lendas, causos. Organizamos então passeios com duas turmas (uma de cada turno: 6º e 7º C) da Escola Estadual Santo Agostinho, parceira neste projeto, totalizando 60 (sessenta) crianças nesta produção. Eram poucas as crianças que conheciam Bastião de Chica e se conheciam, não davam importância. O que aquele 'velho' podia saber?
Inicialmente havíamos decidido que o fotógrafo Lourenço Cardoso, simpatizante das ações e colaborador da Guaimbê há muito tempo, registraria todo o processo para ilustrar o livro que seria escrito pelas próprias crianças e jovens da escola; mas logo percebemos que seria fantástico se as próprias crianças fossem capacitadas para registrar os passeios. Programamos cinco roteiros diferentes e dividimos as turmas em dois ou três sub-grupos. Ao final de todo o processo, voltamos para sala de aula para refletir sobre todo o material produzido e selecionar as mais representativas e belas imagens.
Buscamos integrar a maioria das disciplinas no processo: português - produção de textos; matemática - formatação do livro; história nem preciso dizer; geografia - caminhos percorridos que se juntam com a história da cidade; ciências - riqueza de fauna e flora descrita por Bastião; a aproximação das artes, inevitável.
A etapa seguinte seria produzir os textos, esse bicho de novecentas e tantas mil cabeças. Felizmente fizemos o processo contrário: apresentamos diversos livros de fotografia para que eles os apreciassem e anotassem comentários a respeito das formatações mais interessantes, coisas que gostariam que o nosso livro contemplasse. O passo seguinte foi refletir coletivamente sobre esses formatos, a composição do livro, onde entrariam fotos, textos, desenhos. Eles elaboraram vários projetos gráficos interessantíssimos , refletiram sobre a importância da capa, a mensagem que está ali impressa e conseguimos chegar a um consenso a respeito da identidade do projeto. O mais incrível foi que as duas turmas, apesar de turnos e idades diferentes, chegaram aos mesmos lugares! Tudo muito sincrônico.
Feitos isso, passamos para a produção de textos, que da maneira como foi encaminhada, não provocou exclamações. Dividimos os grupos dos passeios em sub-grupos e cada um deles escolheu um dos pontos da caminhada pra dissertar sobre ela. Sugeri que fossem recordando as falas do Mestre Bastião e a partir daí, começassem a escrever. Depois desenharam as paisagens que não existem mais.
A partir destes produtos, convidamos ainda uma vez mais o Mestre Bastião para que fosse à escola sanar dúvidas que ainda resistiam e então podermos criar os textos definitivos. Enquanto isso, suas propostas gráficas foram começando a ganhar forma pelas mãos de Emilia, Murcego e Luciana, educadores do Quintal da Aldeia; essa pré-edição foi compartilhada com as turmas e finalmente chegou-se a um resultado final, que foi encaminhado à gráfica.
Mas o projeto não parou por aí: a partir deste conteúdo, toda a escola será envolvida na criação, montagem e apresentação de um auto teatral a ser apresentado no final do ano. Quando ele ficar pronto, contaremos como foi.
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COLEÇÃO QUEM CONTA UM CONTO SE ENCANTA
A COLEÇÃO QUEM CONTA UM CONTO SE ENCANTA nasceu lá nos idos da década de 1990, em São Paulo, quando a autora e coordenadora do Quintal da Aldeia decidiu se aprofundar nos saberes e fazeres populares do Brasil. Foi uma paixão. Percebeu que cada manifestação que conhecia possuía um aprendizado comunitário agregado à brincadeira e percebeu a imensa importância e significância destes conteúdos no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Agora, quase vinte anos depois, a coleção ganha as ruas em forma de história e desenhos. Esse primeiro volume conta um pouco sobre o carnaval, o bumba meu boi, a congada e as folias em seus contextos de origem e mobilização comunitária. Foi ilustrado por pessoas de diferentes e o resultado vocês poderão apreciar nos desenhos de Luciana, companheira de tantas jornadas; Noel, filho esteio das minhas criações maternais; Alex, artesão das formas e movimento; e Jota, o sensível cavaleiro da imaginação tangível.



